sábado, 11 de setembro de 2010

Do não ser

À mim não foi dado uma letra sequer, quiçá um poema,
Ou uma música que seja
Coube-me as lágrimas e confissões de amores outros
O sopro de uma noite de desejo, ínfimos instantes de carinho
Coube-me sempre a aspereza das cartas de “boa-partida”
O julgamento infame, o veredicto inconteste
Sou àquela que acompanha, que ouve
Em silêncio chora, mas compreende.
À mim, logo a mim, àquela que esteve sempre a espreita do menor desejo teu
Àquela, que a fim de não perturbar-te, sorriu para não chorar
À mim coube apenas duas certezas: a de estar e a de nunca ter sido.