Existe um tempo mínimo para que o amor aconteça? Assim, como um período de estágio probatório do amor? O amor por si só acontece, diz a Bíblia, em algum dos seus inúmeros livros. Não há tempo pré-determinado, não há forma, não há controle. Quando menos esperamos o nosso olhar para o ser amado mudou. Foi assim quando a olhei naquela manhã de março, os meus olhos faiscaram, um frio me percorreu a espinha, milhões de borboletinhas batiam asas na minha barriga, e eu entendi: era amor.
Era amor quando ela sorria, quando falava, quando andava, quando respirava... senti vontade de agradecer a Deus, aos deuses, as forças da natureza, por estar ali, por tê-la conhecido, por ter tido a sorte de tocá-la e de ser tocada por ela, de poder acordar ao seu lado e vislumbrar aquele sorriso...ah o sorriso...
É amor quando eu tremo só de lembrar dela, e o meu coração parece que vai saltar do peito...É amor quando eu acordo na madrugada buscando o aconchego do seu abraço, e como não encontro, me conformo em olhar para uma das várias fotos que possuo dela, e me possuo sem pudor...É amor até no silêncio dela que me fascina, mesmo que por causa dele às vezes minha cabeça teime em construir histórias que ela não conta, e que talvez nem existam... É amor, quando os planos antes tão meus, agora são também dela, ainda que ela não saiba disso.
É amor. E em nome dele, mesmo a revelia da razão, meu corpo se fechou, como se tivesse passado por um rito pagão, e não permite o toque de outra. É amor.
E, sim, é amor! Não houve tempo mínimo, nem estágio, houve um encontro, de almas, de energias, naquele fim de tarde de um doce novembro, quando os meus olhos se cruzaram com os seus, os nossos cheiros se misturaram, e nós, mesmo sem perceber, naquele abraço entrelaçamos os nossos caminhos.
Quanto ao tempo. Quanto tempo? Durará? Lanço para o universo, pergunta e resposta. E, enquanto espero, sigo tentando desvendar a caixa de pandora...
