Ler, reler cartas, bilhetes, emails, textos, traduções
perfeitas da alma. A minha, um poço profundo de saudade e chamas, lavas
que correm silenciosas, mas avassaladoras, traçando os caminhos que me
levam até você.
Um segundo de lucidez: teu sorriso, que eu
ouço, mas não vejo, a abrir os caminhos para o meu desejo passar. Teus
olhos de mar, águas a inundar o meu ser; de sol a clarear esse deserto
escuro e frio de saudade.
Os milésimos de segundos correm
campos afora, cavalos selvagens a desbravar estradas, eu, amazona
indomável, cavalgando em direção ao meu oásis de felicidade, seus
braços.
13/03/2015
Enquanto esperava...
terça-feira, 31 de março de 2015
sexta-feira, 20 de março de 2015
Sobre o saber-ser
Certa vez conversava com uma
amiga sobre o amor, sobre sentimentos, desejos, paixões. Eu, no auge dos meus
vinte e poucos anos, ainda influenciada pelos contos de fada da infância, não
compreendia aquela história de separar amor de sexo que os homens tanto
defendem, não aceitava nada menos que o amor eterno, incondicional, fiel. Ela,
no auge dos seus trinta e poucos anos, e de várias desilusões amorosas, tentava
me explicar essas nuances das relações interpessoais.
Com ela aprendi que mulheres
também fazem apenas sexo (libertador), que não importa o tempo que dure o
sentimento, mas a intensidade dele, que nós podemos gostar de duas pessoas ao
mesmo tempo, de maneiras diferentes, pois o coração é casa de muitas moradas,
que as ações falam mais que palavras... e que sim, o amor existe, que ele se
doa, perdoa, espera, cala.
Eu a amei, anos a fio, mesmo
quando ela dizia que o que havia entre nós era apenas "sexo e
amizade", mesmo quando no auge de suas crises me ofendia e lavávamos a
nossa roupa suja por cartas e emails de despedida. Quantas vezes a minha roupa
saiu e entrou daquela casa? Perdi as contas... Porque ela podia se apaixonar pelos
homens que quisesse, enquanto esperava o príncipe encantado, que chegaria e a
faria feliz. Eu não! Eu tinha que ficar ali, esperando ao lado dela, pelo
príncipe dela, esquentando a cama para que quando ele chegasse deitar.
E assim foi durante anos. Ela,
sempre dona da verdade absoluta, nunca acreditou no meu amor, farsa criada pela
minha mente poluída e ardilosa. Eu, amando-a, calada, a espreita do menor sinal
de desejo, daquilo que ela podia me ofertar. Afinal, ela sempre foi sincera,
nunca me iludiu, deixou claro que era apenas "sexo e amizade", e eu
assinei o contrato de amor e morte.
O tempo se encarregou de nos
afastar. Também se encarregou de me mostrar que talvez ela tenha me amado, do
jeito dela, dentro da verdade dela, que eu nunca questionei. Pois a verdade é
um conceito relativo. O tempo também me ensinou a não dispender energia com
quem ainda não sabe o que quer, e se sabe não tem coragem de saber-ser.
Eu sei de mim, dos sentimentos
que carrego, das dores aos amores, das verdades absolutas ou meias que
sustentam a minha existência...
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