sábado, 11 de setembro de 2010

Do não ser

À mim não foi dado uma letra sequer, quiçá um poema,
Ou uma música que seja
Coube-me as lágrimas e confissões de amores outros
O sopro de uma noite de desejo, ínfimos instantes de carinho
Coube-me sempre a aspereza das cartas de “boa-partida”
O julgamento infame, o veredicto inconteste
Sou àquela que acompanha, que ouve
Em silêncio chora, mas compreende.
À mim, logo a mim, àquela que esteve sempre a espreita do menor desejo teu
Àquela, que a fim de não perturbar-te, sorriu para não chorar
À mim coube apenas duas certezas: a de estar e a de nunca ter sido.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

About abort

Há em mim uma dor, fina, pungente, incansável
há em mim infinitas perguntas, poucas respostas e alguns sonhos
Há em mim velas, barcos, naus, naufrágios, sem portos
Há em mim a incerteza de quem parte, sem rumo
Há em mim a nítida sensação do aborto

Eu sou o próprio aborto.

Às vezes lançado fora sem piedade ou medo
Às vezes inevitável
Às vezes doído, chorado, sofrido
Às vezes repetido
Às vezes involuntário
Às vezes necessário

Mas, sempre, um aborto.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Desejei permitir que mil mãos vis escarnecessem meu corpo, tal qual anda minha alma, quis que penetrassem por todos os orificios e os achando poucos, criassem outros, na tentativa de, através deles expurgar de mim toda a dor de esperar, que hoje sinto.

Eu sou...

Uma incógnita. Decifre-me.
Um paradoxo. Entenda-me.
Uma contestação. Aceite-me.
A força de um raio.
A beleza de uma tempestade.
A tranquilidade de um rio.
As folhas que caem no outono.
O espinho da roseira.
Gosto de rir. De chorar às vezes (sempre).
Menina-mulher, depende do contexto.
Santa/puta, depende...
Gosto de ler, mas gosto de ter motivos pra ler.
Gosto de escrever, mas não sei.
Amo música e canto muito mal.
Sou fiel àqueles que me são fiéis.
Sou leal aos meus princípios.
Faço planos velozmente, e desfaço-os com a mesma rapidez.
Tenho poucos, mas bons amigos.
Inimigos? Se os tenho, não fui informada...
Amores? Tenho vários, todos imcompreendidos, incompreensíveis... Alguns platônicos, outros impossíveis, mas apenas um que me faz sorrir....
Gosto do oposto. De gente inteligente. De alegria.
Sou arruaceira, baderneira (no bom sentido)...rsrsrsrsrsrs.
Amo a minha família, ainda que vez ou outra não pareça.
Amo os meus amigos, e digo-lhes isso.
Não tenho vergonha de mim.
Falo alto, quando estou alta (rsrsrsrs). Sou uma mocinha quando sóbria.
Sou inconveniente... às vezes...
Sou chata.
Sou romântica. Faço loucuras por amor. Adoro flores, mas fico imensamente feliz com um simples "oi, pensei em você".
Adoro dançar, e isso eu faço bem! Danço até sozinha, na chuva, ah! como eu amo chuva.....
Odeio mentira.
Odeio falsidade... tenho nojo.
Sou sincera.
Preciso estar sempre amando. Ainda que só....
Sou sozinha, mas não solitária.
Sorrio, mesmo que triste.....
Adoro beijo. Beijo de língua, de peixinho, de foca, selinho..... ahhhh....
Tenho sonhos... vários... mil...
Assim sou eu, um mundo em construção, entenda se quiser, me ame se quiser, me odeie se sentir vontade...

Eu vou continuar .....
Quando as palavras que ainda não foram proferidas, encontram repouso em meu ser cansado, e no momento exato em que me deparo com signos impressos, ainda desconhecidos fisicamente, tenho a plena certeza de já tê-los ouvido, pois já existias em mim.....

Uma profusão de sentimentos... múltiplos.. vários... incomensuráveis. Sinto-os todos, não suporto-os, eles me sufocam... A incerteza é o que mais me incomoda... A saudade, o mais inoportuno....

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O meu peito se enche do névoas, e as palavras... in(defesas) se perdem na ira do teu insano coração. A lâmina fria da tua raiva impregna os meus ouvidos. Como negro cativo, assumo o delito e me castro, bato, puno-me... mil rezas à Deus pelo crime não cometido e misericórdia pela infâmia deflorada... joelhos em terra cumpro penitência, enquanto a consciência dorme tranqüila em terras sem ais...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Amor Festa Devoção

Hoje, mais uma vez o meu ser se dispersou, arrancado desde a raiz até a última gota do meu suor.

A luz ascende o véu de prata que paira, e a voz em chamas se apresenta, entoando mil trovões, como convém a uma deusa. Desfiando um rosário bento ela diz de onde vem, onde foi "feita" e para onde vai, rompendo as matas a levar e trazer a beleza deste Brasil caboclo. Xetuá!!
A languidez do seu corpo-menino se lança feito pluma num assento que, a priori, destoa, mas que a medida em que ela se nos oferta - " tua, tua" - fundem-se: ser e objeto. E mais uma vez os meus olhos sobressaltam, corpo e cadeira traçam um balé suave, como se fossem um só. Explode coração. O amor é encantado, soletrado flor-a-flor, despetalado dor-a-dor, queixa-a-queixa..."você me arrasou..."
Entre uma lágrima e um aceno, entrego-me totalmente e já nem sei se "perdi-me do nome", ela me faz suplicar.

Uma pausa.

Um branco incandescente lentamente vagueia, e nos pés da menina vejo a senhora, plácida, serena, mãe. Como quem faz uma prece, ela a senhora, entoa o canto de amor, identificado, dos pais. O palco se rende em oração, mas ela brada aos quatro ventos "meu canto é teu, minha Senhora"... Faço uma reza bem baixinha, no cantinho da minha alma mais uma lágrima.
O palco agora é serra, sertão, mar; e a senhora vai tecendo, entre músicas e textos, o retrato do seu intimo país, que nesse pequeno espaço de tempo passa a ser nosso também. Ê senhora! Os pés enuviados valseiam de um lado para o outro, e a essa altura ela já é todo o palco.

Não há espaço, não há tempo.

Apenas a voz.

Os atabaques ressoam, e num "rum" agitado o raio corta o palco; a reverência, a benção e o adeus. Os meus olhos, marejados, seguem o véu prateado, e se perdem na esquina de luz. Ela se foi.

Hoje, mais uma vez o meu ser se dispersou, arrancado desde a raiz até a última gota do meu suor... "Amor Festa Devoção - é o que sinto por ti, minha senhora"

Dani Danjos - 30/04/2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

... sigo vagando nas veias
do teu corpo
à procura de um átrio,

espaço em branco


para escrever a minha dor...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Aos teus olhos

As rachaduras em minha pele dilatam-se a cada lágrima, temo não perdoar e deixar que as águas arrastem a minha alma ao limbo do teu ódio.
No espelho vejo a dor refletida num sorriso pálido, desde o dia em que lancei fora as tuas mãos das minhas. Tal qual peregrina fiz da tua rua minha romaria, mas esqueci de derramar aos teus pés os meus erros.

Deus, ó Deus, meu coração dilacerado grita por socorro, e pela misericórdia de um dia perdoar-me.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Deserto... dor... solidão

Não sou dotada de intuições, tão pouco ouço anjos a me dizer: "vai por ali...", no entanto, o oco no estômago, a náusea constante, o aperto agudo no coração anunciam as mudanças na maré... É nítida a certeza da chegada de mais um deserto em minha vida...
As lágrimas se antecipam e teimam em lançar-se noites a dentro, um grito abafado pelo travesseiro e a navalha pontiaguda do ciúme a rasgar a minha alma... Tenho medo do escuro, a cada minuto uma luz se apaga e eu estou só...

A nossa vida é regida pelas nossas escolhas e pelas escolhas daqueles que elencamos para nos acompanhar nesta grandiosa peça. Desta vez, são estas escolhas que me lançarão no mar de medo e solidão que se anuncia.

A mim, resta apenas a opção da ausência... espero que entendas o meu silêncio... temo desapontar-te, pois minha alma humana não saberá se portar diante da alegria dos teus olhos. Deixe-me sucumbir a dor que me atormenta, deixe o meu ser se esvair em lágrimas... a água lava as mazelas... Dê ao meu ser imundo o tempo necessário para a expurgação dos sentimentos vis...

Ressurgirei das cinzas a cantar louvores, segurarei tua mão e me alegrarei pela tua felicidade... mas antes que eu pereça no deserto da saudade....

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ando...

... procurando mais ser, do que ter...
... Ah! e como é difícil ser...
... vou tendo pequenos espasmos, às vezes dor, às vezes alegria...
... felicidade fingida nos copos de um bar...
... prazer concebido na sala de uma meretriz...
... no mais, tendo pedaços de vida a cada momento....


... uma eterna aprendiz...
Descobri que tenho algo de sado-maso, ou menos, talvez de amor próprio. Não me recusei a segurar sua mão, mas e a minha? "Sufoquei minha dor em sorrisos para não chorar"... não adiantou muito, chorei... Não tenho na alma cicatrizes, mas sim feridas vivas em chagas, pensava que somente antigas, porém chagas novas se abriram... Preciso ir, mas a minha mão permanece agarrada a tua...