Janeiros secos
de raios
sem ventos
cheiro de mar
e sortilégio
Amor-perfeito
você em flor...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
sábado, 17 de janeiro de 2015
Deus menino, destino
Num belo dia, fim de outono creio eu, avistei ao longe os teus olhos de mar. Um suspiro silencioso brotou nos meus lábios. Pairava sobre a sua tez um véu de ouro a emoldurar a pintura que é o teu rosto. Suspirei. Quem é essa agora que fez sorrir o meu coração? Eis que a moça do sonho já era rainha, com castelo e rei.
Pausa.
Quis o deus menino, destino, que partilhássemos o pão e o vinho; o desejo escondido não resistiu ao nosso cheiro, e nos denunciou. Um abraço, um adeus. Ficamos presas, fio invisível do sentir, naquele abraço sem adeus. Ainda ensaiei um olhar para trás, mas já era tarde, estava escuro e os teus olhos, faróis a iluminar minha noite, haviam se perdido na imensidão...
E não é que o deus menino, destino, traçou e enlaçou nossos caminhos?!! Era verão em nós, à beira-mar nossos corpos faiscantes se renderam ao desejo outrora preso. Ventos de lá e de cá embalaram a nossa dança. Nossos corpos nus, ardentes, entregues ao mar.
Pausa.
Quis o deus menino, destino, que partilhássemos o pão e o vinho; o desejo escondido não resistiu ao nosso cheiro, e nos denunciou. Um abraço, um adeus. Ficamos presas, fio invisível do sentir, naquele abraço sem adeus. Ainda ensaiei um olhar para trás, mas já era tarde, estava escuro e os teus olhos, faróis a iluminar minha noite, haviam se perdido na imensidão...
E não é que o deus menino, destino, traçou e enlaçou nossos caminhos?!! Era verão em nós, à beira-mar nossos corpos faiscantes se renderam ao desejo outrora preso. Ventos de lá e de cá embalaram a nossa dança. Nossos corpos nus, ardentes, entregues ao mar.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Pequeno conto de dor
O silêncio dos nossos olhos prenunciavam o adeus, o mesmo pseudo silencio que o causou. Nos olhamos profundamente naquela manhã, silenciosamente nos amamos, demoradamente nos despedimos, peça a peça, mala a mala; dançamos pela primeira e última vez.
Fechamos a porta e encerramos a conta, o caso, tudo ao mesmo tempo. Ficaram para trás as juras não ditas, benditas, os sorrisos, os beijos, e eu. Difícil acreditar que aquele seria o nosso último abraço. Quando você partiu, pensei em olhar para trás, mas tive medo de virar uma estátua de sal, e segui em frente. Solitariamente deixei que as lágrimas presas desde a primeira hora da manhã rolassem livres pelo meu rosto, e se misturassem ao suor daquele dia triste. Segui o meu caminho, longo caminho de volta, tão longo a ponto de dar o tempo necessário para a concretização do nosso fim.
Desfiz a mala e as esperanças. Chorei calada no meu travesseiro. Esperei a palavra final que não veio. Acordei cedo, vesti minha armadura, saquei minhas armas, palavras, e fui, eu mesma, a porta voz da minha mais profunda tristeza. É o fim, te disse entre lágrimas, e parti. Aqui estou, debulhando o rosário da minha dor, na certeza de que a cada reza, a cada conta, um alento, acalanto, expurgo esse amor.
Fechamos a porta e encerramos a conta, o caso, tudo ao mesmo tempo. Ficaram para trás as juras não ditas, benditas, os sorrisos, os beijos, e eu. Difícil acreditar que aquele seria o nosso último abraço. Quando você partiu, pensei em olhar para trás, mas tive medo de virar uma estátua de sal, e segui em frente. Solitariamente deixei que as lágrimas presas desde a primeira hora da manhã rolassem livres pelo meu rosto, e se misturassem ao suor daquele dia triste. Segui o meu caminho, longo caminho de volta, tão longo a ponto de dar o tempo necessário para a concretização do nosso fim.
Desfiz a mala e as esperanças. Chorei calada no meu travesseiro. Esperei a palavra final que não veio. Acordei cedo, vesti minha armadura, saquei minhas armas, palavras, e fui, eu mesma, a porta voz da minha mais profunda tristeza. É o fim, te disse entre lágrimas, e parti. Aqui estou, debulhando o rosário da minha dor, na certeza de que a cada reza, a cada conta, um alento, acalanto, expurgo esse amor.
Boca de cena
... por onde começar? Pelo começo... talvez pelo fim... esse é o fim...
Antes que as cortinas se fechem vou levantar da cadeira e caminhar até a saída. Prefiro fazer isso ainda no escuro, enquanto a última música é executada, pois temo que o barulho das minhas emoções atrapalhe o decorrer do espetáculo.
Escolhemos uma peça um tanto perigosa para encenar, sempre soube disso, cheguei até mesmo a nos alertar desse fato. Mas, parece-me que santo de casa não faz milagre, cá estou limpando as cinzas que restaram sobre o meu corpo chamuscado, fogo e gasolina.
Nem mocinho, nem bandido, recebi o papel de personagem secundário da trama, aquele que está sempre ao lado da mocinha, que a protege, que a ama, mas que para ela é apenas um bom “amigo”. Ainda assim, fui feliz. Doei o meu bem mais precioso: meu coração. E fui feliz. Feliz por alguns dias, dois meses acho... feliz pelos sorrisos... feliz pelos olhos, feliz...
Sem culpas e sem traumas, saio de cena como alguém que nunca esteve aqui. Deixemos que as fotos fiquem amareladas... que o tempo cuide de cuidar de nós, de mim...
até breve, ou mesmo adeus.
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