sábado, 19 de setembro de 2015



Eu te quero nua
Silenciosamente nua
Lânguida
Mel escorrendo pela boca
E minha língua ávida sorvendo seus beijos
Eu te quero nua
Não como nas músicas que escuto
Ou como nos contos que leio
Eu te quero nua
Minha boca nos seus seios
Nosso corpo
Roçando nossos pelos
Desejos
Eu te quero nua
Como nua me tens quando te escrevo...


*inspirado em A.B., a mudez que rompeu o meu silêncio.
...tudo aceso 
Plugado
Claro
Queimando 
Em mim
Como no âmbar
Como a Adriana
Como?
Tudo ligado
Um morro elétrico
Iluminado
Ardendo
Fogo
Entrando pelos buracos
Boca
Narinas
Olhos
Aperta o passo
No paço
Salva de fogos
Teu gozo...

O beijo, beija-flor

Voou um beijo por entre os meus lábios, 
indômito, matreiro, certeiro...
Flecha a rasgar a mata, 
ou será o cupido aquele faceiro menino?
O beijo encontrou a flor
Beijou-lhe a face
e partiu...
Inebriado do cheiro dela
Voou sem pressa
Pela sala, pela tela, pela janela...
Perdeu-se no cheiro da flor
Pobre beija-flor
Eternizou-se à sombra da orquídea
E nunca mais voou...

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A moça que me habita

Sim, eu confesso, ela esteve aqui. Ignorei-a de pronto, não estava para salamaleques naquele dia. Abri a porta, entrei e deixei-a lá, à porta, esticando os olhos a bisbilhotar o meu interior. Entre uma louça para lavar na pia, a casa para limpar, o lixo para recolher, da alma? da casa?, olhava pela janela e ela estava lá, fitando-me insistentemente, cão sem dono com olhos de agouro...

Um vacilo, ela entrou. Diante do infortúnio ofereci-lhe um chá. Sentamo-nos, “um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância...”, esse é um outro poema do qual gosto muito, e que até cabe aqui, agora...Sentamo-nos, ela foi categórica: mudei-me para cá. Reclamei, achava demasiado pequeno o lugar para abrigar tamanha bagagem. Ademais não pensava em hospedar ninguém, tampouco ela. Achava-a abusada e espaçosa demais.

Argumentamos por horas a fio, ela obstinada, eu irredutível. Ou não... a alma cansada de guerra deixou-se abater. Os fatos falavam por si, os copos vazios largados pela casa depunham contra mim. Sem saída, arrumei o lado esquerdo da cama e permiti que ela se aquietasse por ali.

Sim, ela esteve aqui, e permanece, não mais ao meu lado, mora em mim.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Às vezes me pergunto onde estava com a cabeça quando topei aquela viagem. Pergunta idiota quando quem tomou a decisão real foi o coração...

Hoje doeu de uma forma diferente, mais aguda, faca afiada cortando a carne devagar, e eu senti vontade de gritar, chorar, espernear, chamar seu some sentada no chão, feito criança birrenta, pra chamar sua atenção, quem sabe assim você voltasse.... não voltou...e eu perdi a fome, o chão, a razão, e chorei, quieta, baixinho, encolhida no colchonete naquela sala fria...Um feto no canto da sala, eu, tentando retornar a segurança do ventre materno.

Hoje doeu, e nem o seu sorriso nas fotos não reveladas conseguiram conter o fluxo desse rio de saudade em mim...transbordei...desejos, planos, vontades, sonhos, tudo escorrendo, rio dos meus anseios... Você em mim é vulcão prestes a entrar em erupção...saudade infinda...história contada nas noites frias sob o edredom do desejo.

E eu, quais histórias ainda conto pra você dormir? Existo? Existi? Ou tudo foi sonho, ilusão desenhada na areia que o mar apagou? Será que você sentiu quando meu coração quase parou de dor? Ouviu quando gritei seu nome enquanto corria na chuva tentando fugir de mim? Sentiu meu corpo tremer de um prazer-dor nas horas de volúpia solitária? Ou tudo foi só ilusão e você nem se lembra da minha boca nos seus seios?


Doeu...

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Das declarações

...minhas mãos ainda sentem a maciez da sua pele, e talvez a memória da minha pele não apague as sensações, desejos, sentidos que o seu toque provocou em mim...
os meus sentidos te buscam, afoitos, inconsequentes, esperam o meu corpo dormir e saem, cavalos alados, a buscar o teu cheiro...
teus braços, leito, onde as águas que me banham desaguaram, e encontraram paradeiro...e lá ficaram, represadas nos teus olhos de mar...
acordo, e me dou conta de que as minhas mãos ainda estão agarradas às tuas, tal qual menina que tem medo de se perder...
É preciso soltá-las eu sei, só não sei por qual porta sair, posto que todas ainda me levam a você...

30/06/2015

Delírios

Será que é delírio?
Os teus gemidos ecoam dentro da minha cabeça, e fora dela...
me atravessam em todos os lugares...
Será delírio?
Sinto o toque macio das suas mãos no meu corpo, meus seios...
me possuem em todos os lugares...
Deliro.
E, me vejo pelos cantos, feito bicho no cio,
chamando seu nome baixinho,
na esperança de você ouvir e me possuir...
delírio...

16/05/2015

Das pieguices

Um sopro de felicidade
tal qual o sertanejo
quando sente cheiro de chuva no sertão.
Um alento pra saudade
do caboclo apaixonado
a lua lá no alto iluminando a solidão...
Enquanto cai vida do céu,
e a lua ilumina a escuridão,
o caboclo apaixonado
desenha na fumaça do cigarro
o retrato da dama que roubou seu coração."

26/04/2015

Das declarações

0 hora...momento em que o mundo troca de guarda... Há um certo desassossego em mim...minha cama se tornou imensa, e como eu sinto falta dos seus braços, apesar de não saber ao certo se dormi neles, ou foi um sonho do qual fui acordada de assalto...se foi quero sonhar outra vez, talvez por isso passe as noites te buscando...É na madrugada que esse monstro chamado saudade ataca com mais violência... E eu corro pra fechar os olhos e me aninhar no seu abraço em sonhos tão reais que por mim nem precisaria acordar...

08/04/2015

Das declarações

Olhar fotos suas antes de dormir me dá uma sensação de felicidade...
Gosto de te olhar, esfinge, enigma a ser decifrado...
Gosto de admirar a sua beleza, rara, exótica... e por que não erótica... rsrsrs...sensual...
Gosto de ouvir sua voz, e através dela ver o seu sorriso, lindoooo!
Gosto de sentir sua pele, macia, sedosa...cheirosa...
Gosto dos seus cabelos, cavalos alados ao vento, moldura barroca do seu rosto...ah, o seu rosto, pintura renascentista, perfeição divina...
Gosto de ouvir seus pensamentos a respeito do mundo e das coisas da vida...
Gosto muito mais de mim depois de vc...
Gosto, muito, mesmo, é de vc, bem desse jeito que vc é!

05/04/2015

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Como lidar com a saudade quando a distância é apenas uma linha imaginária que insiste em separar o que vive dentro de nós?
Poderia ser diferente, não fosse eu tão inteira, e por não saber ser metade, viver dando mergulhos profundos no vazio.
Há vida sem riscos?
Viver é atirar-se. Lançar-se no precipício sem para quedas.
Eu, trapezista sem rede...


Então é assim, vamos seguindo como se nada tivesse acontecido. Esqueçamos os beijos, afagos, gemidos, e principalmente as lágrimas. Não foi nada, e tudo foi apenas um delírio. Apaguemos as marcas na pele, na alma, memórias profanas. 

Caminhemos lado a lado, fim de tarde, pôr do sol, fim da estrada, caminhos distintos, ainda que paralelos. Eu vou por aqui, deglutindo dor, expurgando solidão, ainda que minha alma vá por aí, menina teimosa agarrada na tua perna. Não se preocupe, numa dessas curvas da sua estrada ela há de te soltar, e voltar ao lar.

Quanto à mim, não, o amor não passou, talvez passe, passará. E se, em algum momento, a vida resolver brincar conosco outra vez, que eu possa te olhar com ternura, como alguém a quem amei profundamente, e que por obra do deus destino, fui obrigada a guardar no escaninho da minha alma.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Sobre amar...



“O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim...” 

Existe um tempo mínimo para que o amor aconteça? Assim, como um período de estágio probatório do amor? O amor por si só acontece, diz a Bíblia, em algum dos seus inúmeros livros. Não há tempo pré-determinado, não há forma, não há controle. Quando menos esperamos o nosso olhar para o ser amado mudou. Foi assim quando a olhei naquela manhã de março, os meus olhos faiscaram, um frio me percorreu a espinha, milhões de borboletinhas batiam asas na minha barriga, e eu entendi: era amor. 

Era amor quando ela sorria, quando falava, quando andava, quando respirava... senti vontade de agradecer a Deus, aos deuses, as forças da natureza, por estar ali, por tê-la conhecido, por ter tido a sorte de tocá-la e de ser tocada por ela, de poder acordar ao seu lado e vislumbrar aquele sorriso...ah o sorriso... 

É amor quando eu tremo só de lembrar dela, e o meu coração parece que vai saltar do peito...É amor quando eu acordo na madrugada buscando o aconchego do seu abraço, e como não encontro, me conformo em olhar para uma das várias fotos que possuo dela, e me possuo sem pudor...É amor até no silêncio dela que me fascina, mesmo que por causa dele às vezes minha cabeça teime em construir histórias que ela não conta, e que talvez nem existam... É amor, quando os planos antes tão meus, agora são também dela, ainda que ela não saiba disso. 

É amor. E em nome dele, mesmo a revelia da razão, meu corpo se fechou, como se tivesse passado por um rito pagão, e não permite o toque de outra. É amor.

E, sim, é amor! Não houve tempo mínimo, nem estágio, houve um encontro, de almas, de energias, naquele fim de tarde de um doce novembro, quando os meus olhos se cruzaram com os seus, os nossos cheiros se misturaram, e nós, mesmo sem perceber, naquele abraço entrelaçamos os nossos caminhos. 

Quanto ao tempo. Quanto tempo? Durará? Lanço para o universo, pergunta e resposta. E, enquanto espero, sigo tentando desvendar a caixa de pandora...

terça-feira, 31 de março de 2015

Enquanto espero

Ler, reler cartas, bilhetes, emails, textos, traduções perfeitas da alma. A minha, um poço profundo de saudade e chamas, lavas que correm silenciosas, mas avassaladoras, traçando os caminhos que me levam até você.
Um segundo de lucidez: teu sorriso, que eu ouço, mas não vejo, a abrir os caminhos para o meu desejo passar. Teus olhos de mar, águas a inundar o meu ser; de sol a clarear esse deserto escuro e frio de saudade.
Os milésimos de segundos correm campos afora, cavalos selvagens a desbravar estradas, eu, amazona indomável, cavalgando em direção ao meu oásis de felicidade, seus braços.


13/03/2015
Enquanto esperava...

sexta-feira, 20 de março de 2015

Sobre o saber-ser



Certa vez conversava com uma amiga sobre o amor, sobre sentimentos, desejos, paixões. Eu, no auge dos meus vinte e poucos anos, ainda influenciada pelos contos de fada da infância, não compreendia aquela história de separar amor de sexo que os homens tanto defendem, não aceitava nada menos que o amor eterno, incondicional, fiel. Ela, no auge dos seus trinta e poucos anos, e de várias desilusões amorosas, tentava me explicar essas nuances das relações interpessoais.  
Com ela aprendi que mulheres também fazem apenas sexo (libertador), que não importa o tempo que dure o sentimento, mas a intensidade dele, que nós podemos gostar de duas pessoas ao mesmo tempo, de maneiras diferentes, pois o coração é casa de muitas moradas, que as ações falam mais que palavras... e que sim, o amor existe, que ele se doa, perdoa, espera, cala.
Eu a amei, anos a fio, mesmo quando ela dizia que o que havia entre nós era apenas "sexo e amizade", mesmo quando no auge de suas crises me ofendia e lavávamos a nossa roupa suja por cartas e emails de despedida. Quantas vezes a minha roupa saiu e entrou daquela casa? Perdi as contas... Porque ela podia se apaixonar pelos homens que quisesse, enquanto esperava o príncipe encantado, que chegaria e a faria feliz. Eu não! Eu tinha que ficar ali, esperando ao lado dela, pelo príncipe dela, esquentando a cama para que quando ele chegasse deitar.
E assim foi durante anos. Ela, sempre dona da verdade absoluta, nunca acreditou no meu amor, farsa criada pela minha mente poluída e ardilosa. Eu, amando-a, calada, a espreita do menor sinal de desejo, daquilo que ela podia me ofertar. Afinal, ela sempre foi sincera, nunca me iludiu, deixou claro que era apenas "sexo e amizade", e eu assinei o contrato de amor e morte.
O tempo se encarregou de nos afastar. Também se encarregou de me mostrar que talvez ela tenha me amado, do jeito dela, dentro da verdade dela, que eu nunca questionei. Pois a verdade é um conceito relativo. O tempo também me ensinou a não dispender energia com quem ainda não sabe o que quer, e se sabe não tem coragem de saber-ser.
Eu sei de mim, dos sentimentos que carrego, das dores aos amores, das verdades absolutas ou meias que sustentam a minha existência...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Haikai em flor

Janeiros secos
       de raios sem ventos
   cheiro de mar
e sortilégio
 Amor-perfeito
       você em flor...

sábado, 17 de janeiro de 2015

Deus menino, destino

Num belo dia, fim de outono creio eu, avistei ao longe os teus olhos de mar. Um suspiro silencioso brotou nos meus lábios. Pairava sobre a sua tez um véu de ouro a emoldurar a pintura que é o teu rosto. Suspirei. Quem é essa agora que fez sorrir o meu coração? Eis que a moça do sonho já era rainha, com castelo e rei.

Pausa.

Quis o deus menino, destino, que partilhássemos o pão e o vinho; o desejo escondido não resistiu ao nosso cheiro, e nos denunciou. Um abraço, um adeus. Ficamos presas, fio invisível do sentir, naquele abraço sem adeus. Ainda ensaiei um olhar para trás, mas já era tarde, estava escuro e os teus olhos, faróis a iluminar minha noite, haviam se perdido na imensidão...

E não é que o deus menino, destino, traçou e enlaçou nossos caminhos?!! Era verão em nós, à beira-mar nossos corpos faiscantes se renderam ao desejo outrora preso. Ventos de lá e de cá embalaram a nossa dança. Nossos corpos nus, ardentes, entregues ao mar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Pequeno conto de dor

O silêncio dos nossos olhos prenunciavam o adeus, o mesmo pseudo silencio que o causou. Nos olhamos profundamente naquela manhã, silenciosamente nos amamos, demoradamente nos despedimos, peça a peça, mala a mala; dançamos pela primeira e última vez.
Fechamos a porta e encerramos a conta, o caso, tudo ao mesmo tempo. Ficaram para trás as juras não ditas, benditas, os sorrisos, os beijos, e eu. Difícil acreditar que aquele seria o nosso último abraço. Quando você partiu, pensei em olhar para trás, mas tive medo de virar uma estátua de sal, e segui em frente. Solitariamente deixei que as lágrimas presas desde a primeira hora da manhã rolassem livres pelo meu rosto, e se misturassem ao suor daquele dia triste. Segui o meu caminho, longo caminho de volta, tão longo a ponto de dar o tempo necessário para a concretização do nosso fim.
Desfiz a mala e as esperanças. Chorei calada no meu travesseiro. Esperei a palavra final que não veio. Acordei cedo, vesti minha armadura, saquei minhas armas, palavras, e fui, eu mesma, a porta voz da minha mais profunda tristeza. É o fim, te disse entre lágrimas, e parti. Aqui estou, debulhando o rosário da minha dor, na certeza de que a cada reza, a cada conta, um alento, acalanto, expurgo esse amor.

Boca de cena

... por onde começar? Pelo começo... talvez pelo fim... esse é o fim... Antes que as cortinas se fechem vou levantar da cadeira e caminhar até a saída. Prefiro fazer isso ainda no escuro, enquanto a última música é executada, pois temo que o barulho das minhas emoções atrapalhe o decorrer do espetáculo. Escolhemos uma peça um tanto perigosa para encenar, sempre soube disso, cheguei até mesmo a nos alertar desse fato. Mas, parece-me que santo de casa não faz milagre, cá estou limpando as cinzas que restaram sobre o meu corpo chamuscado, fogo e gasolina. Nem mocinho, nem bandido, recebi o papel de personagem secundário da trama, aquele que está sempre ao lado da mocinha, que a protege, que a ama, mas que para ela é apenas um bom “amigo”. Ainda assim, fui feliz. Doei o meu bem mais precioso: meu coração. E fui feliz. Feliz por alguns dias, dois meses acho... feliz pelos sorrisos... feliz pelos olhos, feliz... Sem culpas e sem traumas, saio de cena como alguém que nunca esteve aqui. Deixemos que as fotos fiquem amareladas... que o tempo cuide de cuidar de nós, de mim... até breve, ou mesmo adeus.