terça-feira, 21 de outubro de 2008

Teus olhos...


Basta que os teus olhos caiam sobre mim, estou vulnerável e nesse contato sinto o vírus do teu sorriso a inundar-me. Olhos estes, que como o sol à neve, derruba as muralhas que construo nos fins-de-semana, ausente de ti. Às vezes creio-me imune, lanço-me nas teias vis da noite, mas as bocas que lançam flores, à mim parecem farpas; busco em todas elas o teu hálito, mas só encontro podridão e medo.
Basta que os meus olhos caiam sobre ti, para que eu sinta todo o meu sangue pulsar; para que o leão voraz que julgo dormir, desperte, a rosnar, a bradar... para que eu veja ruir todo o esforço de te arrancar de mim...
Basta que os teus olhos pairem sobre mim, para que mais tua eu me sinta.....

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cavaleira do Dragão


Entre flores de pedra e cheiro de mato vieste, cavalgando um raio escarlate, bradando trovões e espalhando sonhos, ilusões, servidos na xícara do café de ontem. Amazona de mim. Cavaleira de um "Jorge" desprovido do dragão. Águia, que sobrevoa altiva, antes do vôo mortal de nós...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Cinza e pó



O fogo consome o teu cigarro, e eu apenas cinza que descartas ao vento... Cansei. Cansei das xícaras sujas do café de ontem, o mesmo que tantas vezes regou nossas teorias, curto como nossos encontros, quente em minha boca a te desejar. Cansei de justificar o teu pranto, e de não ter parte nos teus sorrisos. Cansei das tuas queixas insolúveis. Cansei de não te ter e ainda assim te dividir. Poupe os meus olhos da cena grotesca do teu prazer... Cansei de sucumbir aos teus olhos e permitir-me tua... Cansei...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Silêncios....


“... esse silêncio todo me atordoa...”

Quantos gritos ainda serão precisos? Onde estás que não me lês?
Jogo ao vento letras entalhadas em puro marfim. Lanço ao mar sinfonias abstratas, arrancadas a fogo de meu ventre. E tu? Indiferença velada, silenciosamente a matar-me. Uma nota que seja do teu dissabor, do teu desamor; uma mentira sincera, ou até mesmo a verdade púrpura. Mas não, não dizes nada. Porque te escondes, quando minha alma se faz transparente diante de teus olhos? Desejo apenas que fales; não te peço canções de amor, cuspa pragas se assim quiseres, mas dispa-se da máscara que te veste...

“... na arquibancada pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa...”

Eu me dispo da matéria que me cobre, revelo-me mais-que-imperfeita, rascunho traçado nas telas de Deus, carne, osso, átomos e palavras. Alimento-me dos sonhos, da beleza dos raios e trovões, das cores do furacão, das águas-vivas-virgens-sãs... Insana sou... Trapezista sem rede, que no picadeiro do amor se lanço destemida. Mergulho profundo nos prostíbulos, e lá entre feras sinto-me extremamente eu...

“... e atordoada permaneço atenta...”

Agora tu, venha e retire a face rota que encobre a tua tez. Deixe-me ver as tuas cicatrizes, ouvir as tuas dores, chorar os teus amores... Dê ao meu ser infante a alegria de brincar nos teus olhos...