
“... esse silêncio todo me atordoa...”
Quantos gritos ainda serão precisos? Onde estás que não me lês?
Jogo ao vento letras entalhadas em puro marfim. Lanço ao mar sinfonias abstratas, arrancadas a fogo de meu ventre. E tu? Indiferença velada, silenciosamente a matar-me. Uma nota que seja do teu dissabor, do teu desamor; uma mentira sincera, ou até mesmo a verdade púrpura. Mas não, não dizes nada. Porque te escondes, quando minha alma se faz transparente diante de teus olhos? Desejo apenas que fales; não te peço canções de amor, cuspa pragas se assim quiseres, mas dispa-se da máscara que te veste...
“... na arquibancada pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa...”
Eu me dispo da matéria que me cobre, revelo-me mais-que-imperfeita, rascunho traçado nas telas de Deus, carne, osso, átomos e palavras. Alimento-me dos sonhos, da beleza dos raios e trovões, das cores do furacão, das águas-vivas-virgens-sãs... Insana sou... Trapezista sem rede, que no picadeiro do amor se lanço destemida. Mergulho profundo nos prostíbulos, e lá entre feras sinto-me extremamente eu...
“... e atordoada permaneço atenta...”
Agora tu, venha e retire a face rota que encobre a tua tez. Deixe-me ver as tuas cicatrizes, ouvir as tuas dores, chorar os teus amores... Dê ao meu ser infante a alegria de brincar nos teus olhos...
Um comentário:
Parabens!!!! Sua escrita é bm subjetiva e clara. Vc consegue expressar algo que provavelmente sente.
Continue escrevendo. Sucesso.
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