quarta-feira, 20 de maio de 2009

Seulement

Na frieza das noites de inverno, minha alma chove, escorrem pelas vielas fotos e cartas perdidos nos sonhos, nascidos na primavera em teus braços. Na boca o gosto do beijo, ainda fresco, à porta de um casebre candidato a lar. Incomodam-me, desde então, as noites gélidas ausentes de ti, não durmo é inútil, a lembrança dos teus olhos me persegue; vulcões acesos a censurar-me, inibir-me, inebriar-me. Sinto repulsa ao teu sorriso, largo, cristalino, vivo, pueril; e me expurgo quando feito criança corro a pular no espelho d’água da tua face. Um dia virá em que esse meu esperançoso coração cansado da guerra baterá retirada de mim, e poderei enfim dormir.

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