Não sou dotada de intuições, tão pouco ouço anjos a me dizer: "vai por ali...", no entanto, o oco no estômago, a náusea constante, o aperto agudo no coração anunciam as mudanças na maré... É nítida a certeza da chegada de mais um deserto em minha vida...
As lágrimas se antecipam e teimam em lançar-se noites a dentro, um grito abafado pelo travesseiro e a navalha pontiaguda do ciúme a rasgar a minha alma... Tenho medo do escuro, a cada minuto uma luz se apaga e eu estou só...
A nossa vida é regida pelas nossas escolhas e pelas escolhas daqueles que elencamos para nos acompanhar nesta grandiosa peça. Desta vez, são estas escolhas que me lançarão no mar de medo e solidão que se anuncia.
A mim, resta apenas a opção da ausência... espero que entendas o meu silêncio... temo desapontar-te, pois minha alma humana não saberá se portar diante da alegria dos teus olhos. Deixe-me sucumbir a dor que me atormenta, deixe o meu ser se esvair em lágrimas... a água lava as mazelas... Dê ao meu ser imundo o tempo necessário para a expurgação dos sentimentos vis...
Ressurgirei das cinzas a cantar louvores, segurarei tua mão e me alegrarei pela tua felicidade... mas antes que eu pereça no deserto da saudade....
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