Há em mim uma dor, fina, pungente, incansável
há em mim infinitas perguntas, poucas respostas e alguns sonhos
Há em mim velas, barcos, naus, naufrágios, sem portos
Há em mim a incerteza de quem parte, sem rumo
Há em mim a nítida sensação do aborto
Eu sou o próprio aborto.
Às vezes lançado fora sem piedade ou medo
Às vezes inevitável
Às vezes doído, chorado, sofrido
Às vezes repetido
Às vezes involuntário
Às vezes necessário
Mas, sempre, um aborto.
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