Há um grito de socorro preso em minha garganta. Como é difícil saber a saída do labirinto e continuar rodando dentro do muro, parece-me masoquismo ou coisa assim. A moça jamais notará a minha ausência, e ainda que o faça será apenas como quando pensamos em um amigo que tem andado sumido, ou coisa parecida... Ela jamais notará a minha ausência, não como eu... Há dias, penso que todos, uns mais outros menos, mas todos, em que ela me segue (persegue), a imagem dela cristalizou-se na minha cabeça, de tal forma que não apenas penso nela, mas falo com ela (absurdo) na minha cabeça... Ela jamais me amará, sou muito sensível, minhas mãos são macias demais, os meus cabelos grandes demais, tenho seios, enfim, sou mulher e ela jamais saberá a doçura de amar uma mulher... tão pouco de ser amada por uma...
Minha mente vagueia e o meu coração não se abre, minha visão está turva e quando penso na luz, só ela me aparece... Esse grito de socorro me sobe a boca e tento vomitá-lo, gritá-lo,não consigo... O sorriso dela me distrai, as dores dela são minhas, e as minhas também... assim vou percorrendo o labirinto, sabendo a saída, mas persistindo em ficar...
... hoje fui tomada por um misto de cansaço e dor, mais uma vez decidi acabar logo com isso e me dirigir à saída... mas como de costume o sorriso dela me distraiu... e... chove, em minha alma, chove...
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