segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Silêncios....


“... esse silêncio todo me atordoa...”

Quantos gritos ainda serão precisos? Onde estás que não me lês?
Jogo ao vento letras entalhadas em puro marfim. Lanço ao mar sinfonias abstratas, arrancadas a fogo de meu ventre. E tu? Indiferença velada, silenciosamente a matar-me. Uma nota que seja do teu dissabor, do teu desamor; uma mentira sincera, ou até mesmo a verdade púrpura. Mas não, não dizes nada. Porque te escondes, quando minha alma se faz transparente diante de teus olhos? Desejo apenas que fales; não te peço canções de amor, cuspa pragas se assim quiseres, mas dispa-se da máscara que te veste...

“... na arquibancada pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa...”

Eu me dispo da matéria que me cobre, revelo-me mais-que-imperfeita, rascunho traçado nas telas de Deus, carne, osso, átomos e palavras. Alimento-me dos sonhos, da beleza dos raios e trovões, das cores do furacão, das águas-vivas-virgens-sãs... Insana sou... Trapezista sem rede, que no picadeiro do amor se lanço destemida. Mergulho profundo nos prostíbulos, e lá entre feras sinto-me extremamente eu...

“... e atordoada permaneço atenta...”

Agora tu, venha e retire a face rota que encobre a tua tez. Deixe-me ver as tuas cicatrizes, ouvir as tuas dores, chorar os teus amores... Dê ao meu ser infante a alegria de brincar nos teus olhos...

Um comentário:

Unknown disse...

Parabens!!!! Sua escrita é bm subjetiva e clara. Vc consegue expressar algo que provavelmente sente.
Continue escrevendo. Sucesso.