
A paixão tem memória, e eu que ainda nem senti teu cheiro, já guardo em minha face teu sabor. Meus olhos percorrem tua língua, incessante a gastar-te, a languidez do teu corpo, jogado nas nuvens do castelo, borbulha o meu sangue, num misto de fervor e medo, medo de não suportar o teu prazer, medo de render-me ao teu canto, encanto, desencanto...
Clamei e vieste banhada de sol, o azul do mar a escorrer pelas tuas pernas; num ímpeto de loucura acalentei-te em meus braços, entre a tentação de possuir-te e real necessidade de consolar-te. Era verão e o sol queimava, me fazendo esvair em líquidos insosos... Meu coração pátio dos teus devaneios, apartado do meu corpo, já não sabe conduzir-se nos átrios do teu.
Perdida que estou nas tuas dores, revivo os meus desamores, na incansável luta de lançar-te ao fogo, logradouro das minhas ilusões, neste instante de lucidez a minha memória quer apenas esquecer-te...
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