quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Avatares
Andei a pensar em brinquedos, na forma como instintivamente usufruimos dos avatares na vida. Assim como as pessoas, também os brinquedos perecem, e a nós cabe escolher o lugar onde os guardaremos. Temos o mal costume de largar o brinquedo velho, ao menor sinal da chegada de um novo, joga-mo-os lá, em qualquer canto da casa, em qualquer lugar do porão. Esquece-mo-nos dos perigos que possivelmente rondam o pobre velho brinquedo, tratamos logo de arranjar um belo e vistoso lugar para o novo, não que ele não mereça um lugar ao sol, mas o sol brilha para todos. O que percebo ocorrer é sempre uma substituição, tanto de brinquedos, quanto de pessoas.O quê realmente nos difere, nós seres humanos racionais, dos brinquedos??? O simples fato destes serem inanimados??? Mas, e nós??? Somos também desprovidos de sentimentos??? Senti-me envergonhada, ao perceber a quantidade de brinquedos, nem tão velhos assim, que simplesmente abandonei ou substitui; ao me dar conta de que quando substituí, o brinquedo novo não tinha a mesma qualidade do velho, e com poucos dias de uso se quebrou... sofri, quando tive que descer ao porão e trazer de volta o velhinho... pois ao reduzi-lo a classe dos imprestáveis, lancei-o a tipo de sorte, e nem sempre quando voltei a procurá-lo o encontrei. Vários são os perigos que um porão esconde, ratos, traças, pó... só agora me dei conta de quantos brinquedos perdi... e do quanto o porão é frio e solitário.... perdi-me...
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Um comentário:
Lendo este post, lembrei de duas vizinhas (uma já se foi)velhinhas, lindas pretas-velhas que todo fim de tardezinha, as conversas delas eram regadas à fumaça dos cachimbos. Era uma cena linda, as duas sentadas na calçada de casa, conversando, fumando seus cachimbinhos, com aquele paninho branco na cabeça... Lembrei disse nessa semana e ao ler teu post.
=***
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