quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Boca de cena

... por onde começar? Pelo começo... talvez pelo fim... esse é o fim... Antes que as cortinas se fechem vou levantar da cadeira e caminhar até a saída. Prefiro fazer isso ainda no escuro, enquanto a última música é executada, pois temo que o barulho das minhas emoções atrapalhe o decorrer do espetáculo. Escolhemos uma peça um tanto perigosa para encenar, sempre soube disso, cheguei até mesmo a nos alertar desse fato. Mas, parece-me que santo de casa não faz milagre, cá estou limpando as cinzas que restaram sobre o meu corpo chamuscado, fogo e gasolina. Nem mocinho, nem bandido, recebi o papel de personagem secundário da trama, aquele que está sempre ao lado da mocinha, que a protege, que a ama, mas que para ela é apenas um bom “amigo”. Ainda assim, fui feliz. Doei o meu bem mais precioso: meu coração. E fui feliz. Feliz por alguns dias, dois meses acho... feliz pelos sorrisos... feliz pelos olhos, feliz... Sem culpas e sem traumas, saio de cena como alguém que nunca esteve aqui. Deixemos que as fotos fiquem amareladas... que o tempo cuide de cuidar de nós, de mim... até breve, ou mesmo adeus.

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