sábado, 17 de janeiro de 2015

Deus menino, destino

Num belo dia, fim de outono creio eu, avistei ao longe os teus olhos de mar. Um suspiro silencioso brotou nos meus lábios. Pairava sobre a sua tez um véu de ouro a emoldurar a pintura que é o teu rosto. Suspirei. Quem é essa agora que fez sorrir o meu coração? Eis que a moça do sonho já era rainha, com castelo e rei.

Pausa.

Quis o deus menino, destino, que partilhássemos o pão e o vinho; o desejo escondido não resistiu ao nosso cheiro, e nos denunciou. Um abraço, um adeus. Ficamos presas, fio invisível do sentir, naquele abraço sem adeus. Ainda ensaiei um olhar para trás, mas já era tarde, estava escuro e os teus olhos, faróis a iluminar minha noite, haviam se perdido na imensidão...

E não é que o deus menino, destino, traçou e enlaçou nossos caminhos?!! Era verão em nós, à beira-mar nossos corpos faiscantes se renderam ao desejo outrora preso. Ventos de lá e de cá embalaram a nossa dança. Nossos corpos nus, ardentes, entregues ao mar.

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