Num belo dia, fim de outono creio eu, avistei ao longe os teus olhos de mar. Um suspiro silencioso brotou nos meus lábios. Pairava sobre a sua tez um véu de ouro a emoldurar a pintura que é o teu rosto. Suspirei. Quem é essa agora que fez sorrir o meu coração? Eis que a moça do sonho já era rainha, com castelo e rei.
Pausa.
Quis o deus menino, destino, que partilhássemos o pão e o vinho; o desejo escondido não resistiu ao nosso cheiro, e nos denunciou. Um abraço, um adeus. Ficamos presas, fio invisível do sentir, naquele abraço sem adeus. Ainda ensaiei um olhar para trás, mas já era tarde, estava escuro e os teus olhos, faróis a iluminar minha noite, haviam se perdido na imensidão...
E não é que o deus menino, destino, traçou e enlaçou nossos caminhos?!! Era verão em nós, à beira-mar nossos corpos faiscantes se renderam ao desejo outrora preso. Ventos de lá e de cá embalaram a nossa dança. Nossos corpos nus, ardentes, entregues ao mar.
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