quarta-feira, 13 de julho de 2016
Estava tão cansada que nem o ardor das vontades me permitiu enfiar o dedo. Anestesiei. A vontade era daquelas que de tão real torna-se imaginação, e daí pula para o delírio. Alucinação. Acordei suada, seu mel escorria pelos meus lábios, minhas mãos ainda seguravam seus seios pra eu não cair. Cair na real de que era mais um daqueles sonhos devassos que tenho desde que lhe conheci. Sede. A boca seca implorava uma gota d’água, a mesma que você derramava no rosto e escorria pelo corpo, enquanto eu, iludida, esperava que chegasse à minha boca seca. Não chegava. Você me torturava, e mais eu lhe queria sem pudores. Você é essa droga alucinógena que consumo dia e noite, e me faz deitar no colo das moças do calçadão em busca de consolo. Maldita a hora que respeitei as palavras. Devia ter lido os olhos, e tomado seu corpo, me entranhado em você até não caber mais. Não estaria agora padecendo de alucinação.
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