
Amada,
Nunca havia parado para pensar na madrugada, quando as luzes se apagam e os pesadelos aproveitam para transitar, espalhando horror e medo; há dias descobri que da mesma maneira que sonhamos acordados, temos pesadelos. Hoje tive um. Éramos dois, três, quatro, cem, uma sala, um jardim, e aos poucos íamo-nos dispersando, tornamo-nos três, o caminho era florido de pedras, à medida que a sala esvaziava-se tu te preparavas para seguir, mas não ias só. Eu ficava só. Esta cena de dois seres que tanto se diferenciam e entrelaçam a caminhar pelo jardim de pedras, causou em mim certo vazio. Águia e serpente caça e caçador... Quis acordar... dei-me conta da luz do sol, das pessoas ao meu redor, e cravei um sorriso largo e brilho , tão falso quanto o vidrilho, nos olhos. Tive medo de me revelar.
Agora observo a noite adentrar a janela da minha alma, que só consegue se fazer luz perto de ti, são dos raios do teu sorriso que ela se alimenta, do cintilar dos teus olhos que liquefazem os meus, de onde ela tira forças para gritar... um grito surdo, que até rompe as barreiras do som, mas que se sente mudo diante das muralhas da tua alma.
Se soubesses o quanto de mim a ti pertence, do quanto já dançaste comigo em meus devaneios, dos sorrisos, do toque suave das minhas mãos na tua pele, de quantas flores já te enviei, da cama de rosas que para ti preparei... Sinto-te, e ainda que me digam insana, vejo-te em meus braços...
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