
Amada,
Um dia encontrei o teu olhar e senti, naquele momento, que uma semente ainda desconhecida fora lançada em mim. O tempo foi passando e a semente germinou, cresceu, floresceu, nossa amizade aconteceu aos poucos, tranqüila e mansa como as águas de um pequeno rio. Em nome desse carinho, sedei o pequenino vulcão que teimava em querer explodir, e me conformei em contemplar a tua beleza de longe.
Há algum tempo os nossos laços se estreitaram e essa proximidade de você aliada aos acontecimentos recentes, tiraram de mim o controle sobre o vulcão e ele explodiu, jorrando lavas de um fogo intenso por todos os meus poros. Mas tudo é sempre muito dual, e entre me lambuzar com o mel e me resguardar da dor, escolhi cuidar da nossa amizade. Só que as coisas nunca acontecem como esperamos, e um dia você permitiu que uma luz acendesse no fim do túnel, e eu que já tinha me conformado em apenas te contemplar, voltei a te desejar, a sonhar. Sonhos, sonhos, duram tão pouco... Um certo encantador de serpentes, que havia sido deportado da sua vida, conseguiu como por encanto reaparecer e reassumir o posto. Vi nesse momento o chão se abrir e nesse buraco negro que se formara os meus mais lindos sonhos esvaírem-se... Dor é só isso, que me recordo ter sentido... Tive que ir ao Pólo Norte, ou terá sido Sul, não sei, e trazer de lá imensas calotas de gelo para aplacar a fúria do vulcão que jorrava, ávido, intenso, fogo... Só nesse instante me dei conta da imensidão daquilo que eu dizia ser apenas “carinho”, percebi ali que o meu coração havia te escolhido, o que é pior sem antes me consultar...
Agora, estou tendo que reaprender a te contemplar. És muito cara para mim. Tive que novamente escolher entre o mel e a cabaça. Fico outra vez com a sua amizade. Certa vez você me perguntou se eu estaria apaixonada, respondi-lhe que estava no processo, saiba que o processo evoluiu muito e posso te assegurar que nesses dias de noites longas descobri que a paixão já havia comprometido todos os meus órgãos.
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