
Amada,
Saiba que a menina faceira que habita em ti me encanta, este infinito no olhar, que nunca consigo decifrar, mas que sempre me transpassa, me devora. Tenho saudades de tudo que não vivemos, ainda... Das tuas mãos nas minhas, dos olhares sorrateiros por detrás das frestas, da nossa música (qual será?), de andar contigo pela floresta dos nossos encantos, de viajar enquanto escuto você narrar as tuas viagens para mim, do entrelaçar dos corpos, de teu cheiro, que creio seja de jasmim. Sinto vontade de afagar o véu prata que cobre a tua face, de colocar-te em meu colo e te ninar, de brincar, correr, soltar fogos todos os dias ao te ver chegar... Sinto tanta coisa, e quando em meus sonhos te vejo tão distante, chego a pensar em desistir de te esperar, mas não consigo, é mais forte do que eu, você está em mim, dentro do meu coração você habita o lugar destinado aos Reis e Rainhas, é o que tu és... Amo-te e não consigo explicar, apenas sinto...
Este texto estava escrito há tempos. Num tempo em que o meu amor era oculto, e que o meu olhar fugia dos teus olhos de lince, na tentativa de não se revelar; tempo em que dançávamos ao luar das minhas ilusões; onde ver-te era permitido; onde brincávamos de pique-esconde e eu era feliz. Não que hoje não seja, mas esta falta do teu sorriso, dos teus olhos (que para mim continuam indecifráveis), corroem os meus lábios que em protesto teimam em não se abrir, corrompem os meu olhos de onde as gotas de uma alegria passada caem sem cessar... Olhos teus que me fascinam, exatamente pela inquietude, inconstância de desejos... Olhos que me confundem, quando me exibem filmes presentes e a tua boca repete, voraz, que não, que esse filme ainda não fora lançado, e nem ao menos tens certeza se o será... E aqui fico, assistindo ao teu bailar, raio que corta o ar, flecha que sorrateira, mas veloz, fere; mata devagar, o bicho, a fêmea, o cio... Às vezes penso-me louca, vejo pontes de pura energia saindo de ti, e entrando em mim, dilacerando-me, consumindo-me, evocando em mim sensações, desejos, delírios… Loucura, somos todos loucos, tontos, santos e novamente loucos. É essa saudade de ti que me enlouquece….
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