
O meu amor me cansa. Cansa, quando
me deixa `a beira da Estrada cheia de desejos; quando me deixa tonta das
bobagens que fala, e que para mim soam como profecias; quando me deixa cansada
de tanto ouvir a mesma canção; quando os teus olhos me fazem promessas
possíveis, mas difíceis de cumprir… O meu amor me encanta. Encanta, quando feito
criança corre a ver as novidades no céu; quando ri das minhas bobagens; quando
se faz séria ao me ouvir, também séria, fazendo-me crer que tudo aquilo tem
sentido; me encantam os teus olhos, que apesar de incógnitos, falam…
Amo o meu amor. Sofro pelo meu amor.
Mas, quando a idéia de afastar-me surge em meus pensamentos desespero-me, a
ausência me dá medo. Assim como Peri contento-me em contemplá-la, a perdê-la de
vez. Ponho freio em meus impulsos, trancafio a minha natureza selvagem e
deixo-me colonizar. O meu amor colonizado te idealiza, rasga as vestes e se põe
em sacrificio, te deseja ardentemente e se auto-flagela por isso. O meu amor
crê nos teus olhos e faz deles porto. Pai, afasta de mim estes olhos, pois eles
adentram minha alma, e dilaceram-me…
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