sexta-feira, 26 de setembro de 2008

... sordade...


Sinto-me sem rumo, olho a minha volta e nada me dizem as flores. O tempo virou objeto de tortura, cortante, pontiagudo. Não sinto vontade de ver o mar, ele parece querer engolir-me. Estou cansada… cansada de ser a boa moça, cansada de servir, de proteger. Quero colo, um braço quente em torno ao meu pescoço, uma voz doce a me acalentar… O titan que habita em mim, hoje se fez menino, criança… Procurei a tua face, e nem os teus olhos tive, estes olhos que apesar de me confundirem, me confortam.
Tenho lido Jó, me vejo impura diante dele. Esse desejo insano de te ter, me faz crêr, ter paciência… e que droga é ter paciência. Quanta saudade dos meus quinze anos, já teria pulado o teu muro, atirado pedra na tua janela, dançado contigo e ali mesmo no teu jardim te amado, já saberia a cor do teu prazer… Não tenho mais quinze anos, e uma coisa chamada razão me impede de ser louca. Já fui tua, nos meus sonhos… às vezes me dou o direito de lá permanecer, a realidade é cruel…
Aí vem você, cheiro de mato, jeito “non sense”, sorriso matreiro e estes olhos de lince, sinto meu corpo ferver, um turbilhão de desejos, de sonhos, de medos se misturam, e eu te querendo…
As palavras andam meio desconexas, os meus sentimentos andam tontos, embriagados de ti…

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