sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Inabitável



Por onde andas saudade? Até tu me abandonaste? Deixaste-me a deriva, vagando por ruas de mim? Silêncios comprometem a minha sanidade, ecoam no turbilhão de cores que vestem a minha dor, silêncios esses que sussurram em meus ouvidos as tuas intenções, profanando a minha paz. O silêncio dos teus olhos lança-me na fornalha, purgatório de amores passados, onde chamas de vaidades me queimam as entranhas. Esse mesmo silêncio ergue-me ao Olimpo, terra dos desejos oníricos, onde habita a minha alma errante, andante a buscar-te. Suscitas em mim a dor e a delícia, as flores e os espinhos.


Estou inabitável, abarrotada, roupas penduradas nas sacadas, flores lançadas pelo ar, água escorrendo pelo terreiro, tudo fora do lugar. Um vendaval me atravessou, devastando a plantação, quebrando os quadros, rasgando fotos. O sol saiu, mas em mim o negrume da noite se fez constante. Onde moro em ti? Que lugar habito? Será que sentes esta faca a cortar o peito? Sei apenas que os meus dias seguem ausentes...


E não me venham as moças boas e gentis, sou adepta de meretrizes. Ando com os ladrões e travestis, gosto do escárnio, do sujo, do ilícito. Passem à porta e sigam; o veneno lançado desnuda a face mimética de mim. Sou eu mesma, avessa, traçada em retalhos, remendos de mim te relatam. Quebrem todos os copos, bebo apenas na taça dos “olhos meus”. Olhem pelas frestas, vejam a metástase que assola o meu ser... Nada sei...


... Sei apenas que estou inabitável...

3 comentários:

Grace disse...

blog hopping :)

Irene Viana Telles Velloso disse...

Dan, parabéns pelo seu blog, mas quero lhe ver alegre. bjs lindo!

Lua disse...

=)

estamos inabitáveis \o/